Ternium no mercado

Grupo Ternium, aposta no potencial do mercado brasileiro

postado em 17/12/2017 

Menos de três meses depois de ter assumido a siderúrgica do bairro carioca de Santa Cruz (antiga Companhia Siderúrgica do Atlântico – CSA), o grupo Ternium, maior produtor de aços planos da América Latina, iniciou neste mês a segunda fase de seu programa de expansão no México. 
 
Com a garantia de fornecimento das placas produzidas na usina brasileira, a empresa, que é sócia controladora da Usiminas, vai investir US$ 1,1 bilhão para ampliar a oferta de aços acabados de alta qualidade à indústria automotiva mexicana. 
 
Enquanto trabalha para consolidar o novo ativo no Brasil, o presidente da Ternium no país, Paolo Bassetti, diz confiar numa reação da economia capaz de justificar também a presença maior da empresa no mercado nacional. “Acreditamos que o Brasil está num momento particular e já voltará a crescer a uma taxa entre 2% e 3%”, disse o executivo, ao comentar a estratégia do grupo, pertencente ao conglomerado ítalo-argentino Techint. 
 
A expectativa é ainda de continuidade da recuperação da Usiminas. A siderúrgica de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, segue revertendo prejuízo: no balanço de janeiro a setembro, destacou lucro líquido de R$ 360 milhões, ante perdas de R$ 382 milhões nos primeiros nove meses de 2016. Acionista do grupo de controle da Usiminas desde 2012, detendo 23,1% do capital total, a Ternium vive há três anos conflito judicial com sua principal sócia, o grupo japonês Nippon Steel. 
 
Segundo Paolo Bassetti, a Ternium tem uma visão continental de longo prazo voltada para expandir seus negócios em cada país e região em que atua. O grupo tem 16 fábricas na Argentina, Colômbia, Estados Unidos, Guatemala e México. “Tenho a visão dos próximos cinco anos, de que devemos colocar nossos investimentos com inteligência para crescer em cada país de forma local e regional. Ninguém investiria no Brasil com visão de curto prazo”, afirma. 
 
De janeiro a setembro, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr), houve aumento de 5% do consumo no mercado nacional, incluindo as importações, frente ao mesmo período de 2016. O presidente da Ternium diz que as perspectivas do setor são positivas, inclusive do ponto de vista do potencial de crescimento do consumo de aço por habitante no Brasil. A estatística indica 100 quilos de aço por habitante ao ano, cerca de metade do que se observa no México. 
 
Outro fato acompanhado com atenção é o impacto das alianças comerciais nas regiões em que a companhia atua. Assim como a expansão da Argentina, grande importadora dos carros brasileiros, interessa ao país e à Ternium, o crescimento do México está vinculado ao incerto destino do acordo do Nafta, quer dizer, à dosagem da abertura comercial dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump. 
 
SINERGIA 
 
A Ternium concluiu a compra da antiga CSA em setembro. O investimento no Brasil deu a independência que o conglomerado siderúrgico precisa ter no abastecimento de placas de aço, que passaram a ser despachadas do Rio de Janeiro para alimentar a linha de produção voltada ao atendimento de aços especiais para a indústria automotiva no México. 

Com fornecimento próprio, a Ternium viabiliza a instalação de um laminador a quente e amplia a entrega de aços galvanizados, processo que confere maior resistência e enobrece o aço. A expansão no centro industrial de Pesquería deverá ser concluída no segundo semestre de 2020. 
 
Do escritório da usina de Guerrero, planta mais antiga da Ternium nas proximidades de Monterrey, o diretor de planejamento comercial da companhia, Alejandro González, explica que a estratégia é fortalecer a presença da Ternium em terras mexicanas. No país, a empresa fatura mais de 60% do valor do seu negócio e disputa a oferta de aços de alta qualidade às montadoras num momento de grande expansão do setor. 

“Isso explica por que todos os investimentos que estamos fazendo. O México tem mostrado crescimento muito importante na última década, com grande impulso dado pela indústria automotiva”, afirma. No ano passado, aquele país assumiu a sétima posição entre os maiores produtores de veículos, com 3,6 milhões de unidades, ao passo em que em 2007 estava no 11º lugar, com 2 milhões de unidades. 

Fonte: Estado de Minas 

 

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