Investimento para retomada da produção

  Usiminas investirá R$ 200 milhões até dezembro para retomar produção.

  postado em 31/07/2017

 

 

  Parte dos recursos prepara a empresa para religar alto-forno 1 em Ipatinga. Após reverter perdas, siderúrgica lucrou R$ 176 milhões de abril a junho.

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  Produção de aços galvanizados em Ipatinga: siderúrgica obteve receita líquida de vendas de R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre (foto: Marcelo Coelho/Divulgação - 11/9/13)

  Com planos de retomar em cerca de 20% a sua produção de placas na aciaria da usina Intendente Câmara, em Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, a Usiminas anunciou ontem que vai desembolsar R$ 200 milhões em investimentos até dezembro. Desse montante, R$ 80 milhões serão aplicados na preparação, já em curso, para o religamento em abril de 2018 do alto-forno 1 da fábrica mineira. A outra parcela tem como destino projetos de manutenção das atividades da siderúrgica, maior fabricante de aços planos no Brasil.


  A companhia começou a providenciar a contratação de pessoal para as obras necessárias ao retorno do alto-forno 1 – de 400 trabalhadores temporários ao todo – e a compra de material, sobretudo refratários, informou ontem ao Estado de Minas o presidente da Usiminas, Sérgio Leite. O executivo conversou com analistas de bancos e corretoras e jornalistas sobre os resultados financeiros da empresa no segundo trimestre do ano, quando reverteu perdas e apurou lucro líquido de R$ 175,7 milhões. Um ano atrás, havia amargado prejuízo de R$ 123 milhões.


  As admissões para a operação do forno de Ipatinga, definidas em 120 profissionais do quadro próprio, serão feitas no 1 º trimestre do ano que vem. Nos próximos cinco meses, de acordo com Sérgio Leite, a empresa pretende destinar R$ 25 milhões aos preparativos para religar o equipamento. A volta às operações acrescentará cerca de 2 mil toneladas por dia de produção à aciaria da usina.


  A retomada de investimentos na produção e de empregos em Ipatinga abre nova etapa na companhia, que enfrentou a deterioração de seus balanços nos últimos dois anos e meio, agravada pela disputa judicial de seus principais acionistas, o grupo japonês Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation e o conglomerado ítalo-argentino Ternium/Techint. “Iniciamos nova fase com resultados que já nos permitem pensar o futuro da empresa. Antes, a estratégia era sobreviver”, afirma o presidente da Usiminas.


  A empresa acumulou perdas em 2015 que a levaram a uma batalha para eliminar, numa segunda fase a partir do início de 2016, os riscos de entrar numa recuperação judicial. Iniciativas cruciais, além de drásticas medidas de redução de custos, consistiram em aumento de capital de R$ 1 bilhão pelos acionistas e um programa de renegociação de dívidas com bancos. “Voltamos neste mês a falar em planejamento estratégico”, diz Sérgio Leite.
Um dos destaques do resultado de abril a junho, que, na visão do executivo, ilustra bem a trajetória de ascensão da siderúrgica, foi o chamado Ebitda Ajustado, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, de R$ 749,9 milhões, melhor desempenho dos últimos 28 trimestres. O indicador sofre a influência positiva do reconhecimento no balanço do segundo trimestre do crédito de R$ 205,1 milhões recebido neste mês pela Mineração Usiminas, na qual a companhia tem como sócio o grupo japonês Sumitomo. A quantia é proveniente de acordo firmado entre a mineradora e o Porto Sudeste relativo a exportações de minério de ferro.


  Descontado o valor creditado à subsidiária, o Ebitda da Usiminas atingiu R$ 550,8 milhões, valor mais alto registrado nos últimos 13 trimestres. Contribuiu também para o resultado trimestral a combinação entre aumento de preços, e, portanto, da receita líquida da Usiminas, e ampliação do volume de vendas. A companhia obteve receita líquida de R$ 2,6 bilhões, representando acréscimo de 9,3% frente àquela registrada de janeiro a março. O preço médio evoluiu 4,1% no período, enquanto as vendas totais de aço cresceram 6% na mesma base de comparação. Foram 840 mil toneladas direcionadas ao mercado interno e outro 150 mil toneladas exportadas de abril a junho.

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